As Sete Igrejas do Apocalipse

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As Sete Igrejas do Apocalipse

A convocação de João para escrever, recebida na visão inaugural (Apocalipse 1:11, 19) é repetida em cada uma das 7 cartas. Todas começam com mandamento para escrever as coisas faladas pelo Cristo exaltado. Usado somente no Apocalipse, a frase “Estas coisas diz [o Senhor]” ou “Estas são as palavras” está obsoleto no grego koinê, língua original que foi escrito todo o Novo Testamento (a linguagem comum do mundo helenístico) com som antiquado como “thus saith” (“Tu dizes” – no Inglês arcaico) no Inglês.

 

É, no entanto, usado 250 vezes na Septuaginta (LXX) para traduzir hebraico pela forma do discurso profético “assim diz o Senhor”. Aparece também em decretos persas e na literatura helenista para introduzir oráculos (Aune, 1997, p. 141 – 142). Nos capítulos dois e três, seu uso múltiplo indica a importância das mensagens, enfatiza a natureza exaltada do mensageiro e refere-se ao conhecimento que o Cristo exaltado possui de tudo que está acontecendo na Igreja.

 

A compreensão de Cristo é também enfatizada pela sua palavra, “conheço” (oida) em cada carta. Cinco vezes (Apocalipse 2:2, 19; 3:1, 8, 15) é emparelhada com a frase “suas obras”, uma vez com suas aflições (2:19), e uma vez com o lugar onde vivem (2:13). Cada Igreja é conhecida intimamente por Aquele que está no centro de sua Igreja, e cada carta desenvolve alguma faceta da descrição do Filho do Homem a partir da visão inaugural.

 

As cartas às Igrejas não seguem a forma de carta antiga tradicional. Tentativas de classificá-las têm incluído rótulos genéricos tais como “mensagens” (Swete, 1906, p. XI) ou “palavras especiais” (Beckwith, 1978, p. 446 – 447). Outros têm sido mais específicos, incluindo um “oráculo parentético de salvação–julgamento” (Aune, 1983, p. 326) e uma forma de um antigo pacto do Oriente em cinco partes como essa em Êxodo 21 e seguintes (Shea, 1983, p. 71 – 84).

 

Uma abordagem mais franca é simplesmente para descrever os elementos encontrados nas sete cartas. Elas geralmente seguem um modelo de sete itens, embora nem todos os elementos apareçam em cada carta, [1] – Mandamento para escrever, [2] – Autoidentificação de Cristo derivada da visão inaugural em Apocalipse um, [3] – Recomendação (exceto Laodiceia), [4] – Acusação (exceto Esmirna e Filadélfia), [5] – Convite ao arrependimento e advertência ou encorajamento, [6] – Convite à resposta, e [7] – Promessa aqueles que vencerem.

 

Cada carta é dirigida ao anjo daquela Igreja, entretanto, é nítido que a própria Igreja é o destinatário pretendido. Pronomes no singular e plural ocorrem em cada letra ao manter a posição representativa do anjo, o caráter corporativo da Igreja, e responsabilidade individual. A exortação estereotipada a ouvir o Espírito vem apenas antes de uma promessa na primeira das três cartas e segue uma das quatro últimas.

 

O convite para aqueles que têm ouvidos ouvirem tem quase a mesma expressão nos Evangelhos sinóticos (cf. Mateus 11:15; 16:9 – 11, 43; Marcos 4:9, 23; Lucas 8:8; 14:35), onde Jesus convida os ouvintes a responderem às parábolas. As exortações enfatizam a importância das palavras de cada mensagem, bem como a fórmula do Antigo Testamento “Ouça a palavra do Senhor” usada pelos oráculos proféticos.

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A segunda metade da frase “o que o Espírito diz as Igrejas” pode significar que Cristo fala por meio do espírito da profecia (Bruce, 1973, p. 340) ou que o Espírito é o próprio Cristo exaltado (Schweizer, 1968, p. 6:449). Incomum como a representação do Espírito Santo é no Apocalipse, a saudação Trinitariana (Apocalipse 1:4, 5), estabelece o fundamento para o reconhecimento do papel do Espírito Santo. As cartas de Cristo as Igrejas são mediadas pelo Espírito Santo.

 

Cada carta (Apocalipse 2:7, 11, 17, 26 – 28; 3:5, 12, 21) inclui uma promessa àqueles que vencerem que podem ter uma conotação atlética ou militar. A ênfase das cartas em ser vitorioso a despeito da adversidade e conquistador mesmo se estiver a ponto de morrer depende da “perseverança paciente” (Apocalipse 1:9) e descer uma testemunha fiel a Cristo em lugar de poder militar ou habilidade atlética.

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As cartas desafiam os destinatários do Apocalipse a estarem prontos para o que vier, alguns dos quais são detalhados mais tarde no livro (Apocalipse 11:7; 13:7). A conquista espiritual ironicamente vincula o ser conquistador ao sofrimento ou até mesmo ao martírio.

 

As promessas aos vencedores antecipam as visões escatológicas das bênçãos da salvação e comunhão com Deus e proporciona encorajamento às Igrejas a permanecerem firmes.

 

As Sete Igrejas do Apocalipse são apenas algumas das muitas Igrejas da Ásia e de outros lugares no primeiro século. Cada cidade tinha uma longa e complicada história e não há evidência clara de por qual motivo elas foram selecionadas para representar a Igreja.

 

A condição contemporânea de cada congregação provoca alusões ao Antigo Testamento e como consequência o Antigo Testamento crítica a Igreja e serve como uma voz autorizada para sua situação no primeiro século.

 

Paz e graça.

Por Pr. Plínio Sousa.

 

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