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Perseverança dos Santos

Perseverança dos Santos
Perseverança dos Santos

“E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” – Romanos 8:30.

 

Por Pr. Plínio Sousa.

 

Ao declarar-se a eterna segurança do povo de Deus, talvez seja mais claro falar de sua preservação que – como se costuma fazer – de sua perseverança. Perseverança significa, contínuo apego a uma crença apesar do desencorajamento da oposição. A razão por que os crentes perseveram na fé e na obediência, contundo, não está na força de sua própria dedicação, mas em que Jesus Cristo, através do Espírito Santo, os preserva. João nos diz que Jesus Cristo se comprometeu com o Pai (João 6:37 – 40) e diretamente com seu povo (João 10:28 – 29), no sentido de guardá-lo, de modo que esse povo nunca perecerá. Na sua oração por seus discípulos, depois de terminar a Última Ceia, Jesus pediu que aqueles que o Pai lhe tinha dado (João 17:2, 6, 9, 24) fossem preservados para a glória. Cristo continua a interceder por seu povo (Romanos 8:34; Hebreus 7:25), e é inconcebível que sua oração em favor deles fique sem resposta.

 

Paulo celebra a presente e futura segurança dos santos no amor onipotente de Deus (Romanos 8:31 – 39). Ele se regozija na certeza de que Deus completará a boa obra que começou na vida dos crentes – Filipenses 1:6; cf. 1 Coríntios 1:8, 9; 1 Tessalonicenses 5:23 – 24, 2 Tessalonicenses 3:3; 2 Timóteo 1:12; 4:18.

 

A Confissão de Westminster diz:

 

“Os que Deus aceitou em seu bem-amado, eficazmente chamado e santificado pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas, com toda certeza, hão de perseverar nesse estado até o fim e estarão eternamente salvos” (XVII.1).

 

Os regenerados são salvos perseverando na fé e na vida cristã até o fim (Hebreus 3:6; 6:11; 10:35 – 39), como Deus os preserva. Esta doutrina não significa que todos aqueles que já professaram ser cristãos serão salvos. Os que tentam viver a vida cristã, baseados em sua própria capacidade, decairão (Mateus 13:20 – 22). A falsa profissão de fé por parte de muitos que dizem a Deus “Senhor, Senhor” não será reconhecida (Mateus 7:21 – 23). Os que buscam a santidade do coração e o amor ao próximo e, assim, mostram terem sido regenerados por Deus, adquirem o direito de se considerarem crentes seguros em Cristo. A crença na perseverança propriamente entendida não nos leva a uma vida descuidada e à presunção arrogante.

 

Os regenerados podem mostrar-se relapsos e cair em pecado. Quando isso ocorre, eles se opõem à sua nova natureza e o Espírito Santo os convence do seu pecado (de acordo com João 16:8) e os compele a arrepender-se e a serem restaurados à sua condição de justificados. Quando os crentes regenerados mostram o desejo humilde e grato de agradar a Deus, que os salvou, o reconhecimento de que Deus se comprometeu a guardá-los salvos para sempre aumenta esse desejo.

 

NOSSA FÉ TEM DE PERMANECER ATÉ AO FIM, SE DEVEMOS SER SALVOS

 

John Piper acertadamente diz:

 

Isto significa que o evangelho é o instrumento de Deus na preservação da fé, bem como o instrumento que gera a fé. Não agimos com um tipo de indiferença arrogante para com o chamado à perseverança apenas porque uma pessoa professou a fé em Cristo, como se pudéssemos, baseado em nossa perspectiva, ter certeza de que agora ela está além do alcance do Maligno. Há um combate da fé a ser realizado. Os eleitos realizarão esse combate. E, por meio da graça soberana de Deus, eles vencerão o combate. Temos de permanecer na fé até ao fim, se devemos ser salvos. Em 1 Coríntios 15:1, 2, Paulo mostra a necessidade de perseverança: “Irmãos, venho lembrar-vos o evangelho que vos anunciei, o qual recebestes e no qual ainda perseverais; por ele também sois salvos, se retiverdes a palavra tal como vo-la preguei, a menos que tenhais crido em vão”. Este “se retiverdes” mostra que há um falso começo na vida cristã. Jesus contou a parábola dos solos para advertir contra esses tipos de falso começo. O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando à angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza. O que foi semeado entre os espinhos, é o que ouve a palavra, porém, os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera (Mateus 13:20 – 22). Em outras palavras, como Paulo diz em 1 Coríntios 15:2, há um “crer em vão” – que significa um falso crer, um vir a Cristo por razões que não incluem amor por sua glória e ódio ao pecado. Paulo diz: a evidência da genuinidade de nossa fé é o fato de que retemos a Palavra – de que perseveramos.

 

De modo semelhante, Paulo diz em Colossenses 1:21 – 23: E a vós outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpo da Sua carne, mediante a Sua morte, para apresentar-vos perante Ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, me tornei ministro. E, outra vez, em 2 Timóteo 2:11, 12: “Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos”. Nestas palavras, Paulo está seguindo o ensino de Jesus. Jesus disse: “Aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Marcos 13:13). E, depois de Sua ressurreição, Jesus disse às sete igrejas do Apocalipse: “Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida” (Apocalipse 2:7). “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2:10; cf. 2:17, 25 – 26; 3:5, 11 – 12, 21). Isto é o que pretendemos dizer quando falamos em necessidade de perseverança – a afirmação de que temos de perseverar. No entanto, um esclarecimento é conveniente. Perseverar na fé não significa que os santos não passam por tempos de dúvida, trevas espirituais e falta de confiança nas promessas e na bondade de Deus. “Ajuda-me na minha falta de fé” (Marcos 9:24) não é uma oração contraditória. Incredulidade pode coexistir com uma fé verdadeira. Portanto, o que queremos dizer quando afirmamos que a fé tem de perseverar até ao fim é que nunca chegaremos a um ponto de renunciar Cristo com tal dureza de coração que nunca retornaremos, mas, em vez disso, somente provaremos que fomos hipócritas na fé que professamos. Um exemplo desse tipo de dureza é Esaú. Atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus, nem haja alguma raiz de amargura que, brotando vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados, nem haja algum impuro ou profano, como foi Esaú, o qual, por um repasto, vendeu o seu direito de primogenitura. Pois sabeis também que, posteriormente, querendo herdar a bênção, foi rejeitado, pois não achou lugar de arrependimento, embora, com lágrimas, o tivesse buscado (Hebreus 12:15 – 17). Esaú se tornou espiritualmente tão endurecido e insensível em seu amor por este mundo que, quando tentou se arrepender, não pôde. Tudo que ele pôde fazer foi chorar pelas consequências de sua tolice e não pela verdadeira feiura de seu pecado ou pela desonra que lançou sobre Deus, em preferir uma simples refeição ao direito de primogenitura. Por outro lado, o Novo Testamento se esforça para assegurar-nos para que não desesperemos, pensando que o desvio e a inconstância no pecado é um caminho sem volta. É possível arrepender-se e retornar. Esse processo de desvio e retorno está incluído na “perseverança dos santos”. Por exemplo, Tiago disse: “Aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados” (Tiago 5:20). E João disse: “Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida (…). Toda injustiça é pecado, e há pecado não para morte” (1º João 5:16, 17). O alvo de João, nestas palavras, era dar esperança aos que fossem tentados a desesperar-se e aos que os amavam e oravam por eles. João começou sua epístola da maneira como a terminou: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1º João 1:8, 9). Portanto, quando falamos da necessidade (e da certeza, como veremos em seguida) de perseverança, não queremos dizer perfeição. E não queremos dizer que não há lutas e incredulidade séria. Temos de guardar em mente tudo que já vimos até aqui neste livro. Pertencer a Cristo é uma realidade sobrenatural, produzida por Deus e preservada por Ele (Jeremias 32:40). Os santos não são marcados mais profundamente pelo que fazem e sim pelo que são. Eles são nascidos de novo. São uma nova criação. Não entram e saem desta novidade. Ela é obra de Deus. É também irrevogável. Mas o seu fruto em fé e em obediência é um combate até ao fim. E a perseverança diz: o combate será realizado e não será perdido no final.

 

Richard P. Belcher em sua exposição acerca da preservação dos santos por Deus, diz: —  A doutrina da perseverança é uma conclusão lógica: — Se o homem é totalmente depravado e não pode fazer nada para ajudar a si mesmo no que diz respeito às coisas espirituais; se Deus é absolutamente soberano na questão da eleição, fundamentada tão-somente em sua própria vontade; se a morte de Cristo realizou-se em favor dos eleitos, assegurando-lhes a salvação; e se Deus chama os eleitos de maneira irresistível, conclui-se que Deus assegurará a salvação final destes eleitos, ou seja, eles perseverarão até o fim. A perseverança dos santos é a doutrina que afirma que os eleitos continuarão no caminho da salvação (por serem eles o objeto do eterno decreto da eleição e por serem eles o objeto da expiação realizada por Cristo), visto que o mesmo poder de Deus que os salvou os preservará e os santificará até o final.

 

Paz e graça.

 

[1] – Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 1331.

[2] – Cinco Pontos – John Piper.

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