O DOM DO SILÊNCIO – COMO ORAR SEM PALAVRAS

Oração
O DOM DO SILÊNCIO – COMO ORAR SEM PALAVRAS

Oração em espírito e verdade.

Orar no Espírito é mencionado três vezes na Bíblia, em 1 Coríntios 14:15 diz: — “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente”. Em Efésios 6:18 diz: — “com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos”. E em Judas 20 diz: — “Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo”.

Então, o que significa exatamente orar no Espírito?  Seria oração sem palavras? Seria esse o dom do silêncio?

Quando o Apóstolo diz: — “Orarei com o espírito” no versículo 15 (1 Coríntios 14); para que ninguém viesse a indagar à guisa de objeção: — “O espírito, pois, não será de nenhum préstimo na oração?”, o apóstolo ensina que se deve orar com o espírito, desde que a mente, ou, seja, o entendimento, esteja também em atividade. Porém insiste em que a mente não fique inativa, e que sem dúvida este é o ponto principal.

A Escritura não ensina especificamente orar silenciosamente, mas isso não significa invalidez, muitas vezes orar em voz alta aponta para uma verdadeira demonstração de piedade, enquanto orar silenciosamente aponta para uma falsa demonstração de piedade.

Jesus contou esta parábola: — Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no íntimo [em silêncio]: — “Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens – ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”.

Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia [em voz audível]: — “Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador”.

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Cristo diz que o publicano desce justificado, não o fariseu; entretanto, isto não é um modelo, a Escritura exorta-nos a orar “sem cessar”, seja em silêncio ou em voz alta.

Deus pode escutar nossas “orações em silêncio” com a mesma facilidade que Ele pode sondar nosso coração e escutar nossas palavras audíveis (Salmos 139:23; Jeremias 12:3). Jesus sabia dos pensamentos maus dos fariseus enquanto blasfemavam e acusavam Ele de ser um instrumento do diabo (Mateus 12:24 – 26; Lucas 11:7). Nada que dizemos, falamos ou pensamos é escondido de Deus, portanto, as orações em silêncio pode ser um triunfo, pois o diabo não sonda pensamentos.

Ele não precisa escutar nossas palavras para conhecer nossos pensamentos e corações. Ele tem acesso a todas as orações a Ele dirigidas, como um livro aberto, quer sejam em voz audível ou não.

A Escritura nos ensina a “Oração em Secreto” em Mateus 6:6. Destarte, qual a diferença de orar de forma audível, ou seja, em voz alta – ou de forma silenciosa quando de fato, estamos sozinhos? Há algumas situações em que apenas a oração silenciosa é apropriada, situação de um relacionamento íntimo com Deus: — Orar por algo que deve permanecer apenas entre o cristão e Deus, como confissões de pecados, orar por alguém que está presente (sem constrangimento), em meio a exposições e pregações (por exemplo, no evangelismo –, em seus intervalos), pedindo força, ajuda, misericórdia a Deus diante a tentações, falhas e fraquezas, etc., não há nada de errado com oração silenciosa – contanto que não estejamos orando assim por estarmos com vergonha de sermos vistos orando, ou seja, se envergonhando de sermos cristãos; também que a oração em silêncio esteja de acordo com os ensinamentos acerca da oração, sem ferir a instrução dada mediante a Palavra de Deus (cf. Mateus 6:9 – 13 — Oração do Senhor).

Talvez o melhor versículo para indicar a importância de orações silenciosas é 1 Tessalonicenses 5:17: — “Orai sem cessar”. Ele observa, aqui, praticamente a mesma ordem, embora em menos palavras. Pois, antes de tudo, queria que tivéssemos os benefícios de Deus em tanta estima que o reconhecimento deles e a meditação sobre eles superassem toda a tristeza.

E, sem sombra de dúvida, se consideramos o que Cristo nos concedeu, não haverá amargura de tristeza tão intensa que não possa ser aliviada, e dê lugar à alegria espiritual. Pois, se esta alegria não reina em nós, o reino de Deus é ao mesmo tempo banido de nós, ou nós dele. E muito ingrato a Deus é o homem que não dê um valor tão elevado à justiça de Cristo e à esperança da vida eterna, regozijando-se em meio à tristeza.

Como, porém, nossas mentes são facilmente abatidas, até que deem lugar à impaciência, devemos observar o remédio que ele prescreve logo após. Pois, ao sermos derribados e abatidos, somos novamente levantados pelas orações, porque colocamos sobre Deus o que nos sobrecarregava. Como, porém, a cada dia, sim, a cada instante, há muitas coisas que podem perturbar a nossa paz, e frustrar a nossa alegria, por esta causa ele nos manda “orar sem cessar”.

Ora, quanto a esta constância na oração, temos falado em outro lugar. Ação de graças, é acrescentada como uma limitação. Pois muitos oram de tal modo que ao mesmo tempo murmuram contra Deus, e se queixam de que Ele não gratifique imediatamente seus desejos. Mas, pelo contrário, é conveniente que nossos desejos sejam refreados de tal modo que, contentes com o que nos é dado, sempre misturemos ações de graças aos nossos desejos. É verdade que podemos licitamente pedir, sim, suspirar e lamentar, seja em voz audível ou em silêncio, mas isto deve ser de tal modo que a vontade de Deus seja mais aceitável a nós do que a nossa própria.

Paz e graça.

Por Pr. Plínio Sousa.

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