Oração Como Meio de Crescimento Espiritual

Oração
Oração Como Meio de Crescimento Espiritual

Primeiramente, deixe-me por um momento definir o que é oração: — A oração é uma ordenança de Deus para o uso tanto público como privado: — Mais ainda, é uma ordenança que coloca aqueles que têm o espírito de súplica em estreita relação com Ele – Deus; e também possui efeitos tão notáveis que alcançam grandes coisas de Deus, tanto para uma pessoa que ora, como para aqueles por quem ela ora. Abre, por assim dizer, o coração de Deus, e, através dela, a alma mesmo quando vazia, é preenchida. Através da oração o cristão também pode abrir seu coração a Deus como o faria com um amigo, e obter um renovado testemunho de sua amizade. Muitas palavras poderiam ser utilizadas aqui para distinguir entre oração pública e privada, assim como entre a do coração e a dos lábios. Também poderia dizer algo para fazer a diferença entre os dons e graças na oração, mas, deixando este método de lado, desta vez me ocuparei somente em mostrar a alma da oração, sem a qual toda elevação de mãos, olhos ou vozes seria completamente desprovida de propósito.

 

A oração é o derramar de modo sincero, consciente e amoroso o coração ou a alma diante de Deus, por meio de Cristo, no poder e ajuda do Espírito Santo, buscando as coisas que Deus prometeu, ou que estão em conformidade com a sua Palavra, para o bem da Igreja, com fiel submissão à sua vontade (cf. Neemias 1 e 9; Esdras 9; Daniel 9; João 17).

 

Acredito que o ponto chave para entendermos acerca do crescimento espiritual por meio da oração: — é o derramar de modo sincero a alma diante de Deus. A sinceridade é uma graça que faz parte de todas as demais que Deus nos concede, e todas as atividades do cristão são influenciadas por ela, caso contrário, Deus não as olharia. Isso acontece na oração, como particularmente disse Davi, falando sobre o assunto: — “A ele clamei com a minha boca, e ele foi exaltado pela minha língua. Se eu atender à iniquidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá” (Salmos 66:17, 18; cf. Provérbios 28:9).

 

A sinceridade é parte da oração, porque sem ela Deus não a considera como tal: — “E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração” (Jeremias 29:13). A falta de sinceridade fez Deus rejeitar as orações que nos fala em Oséias 7:14, onde diz: — “E não clamaram a mim com seu coração” (isto é, em sinceridade), “mas uivam nas suas camas”. Mas oram para dissimular, para exibir-se hipocritamente, para serem vistos pelos homens e aplaudidos por eles. A sinceridade é o que Cristo elogiou em Natanael, quando ele estava debaixo da figueira: — “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo”. Provavelmente este bom homem havia estado derramando a sua alma a Deus em oração debaixo da figueira, fazendo-o com um espírito sincero e determinado diante do Senhor. A oração que contém esse elemento como um de seus principais ingredientes, é a oração que Deus escuta. Assim, vemos que “a oração do justo é o seu prazer” (Provérbios 15:8). Por que a sinceridade deve ser um dos elementos essenciais da oração que Deus aceita? Porque a sinceridade induz a alma a abrir o coração perante Deus com toda simplicidade para apresentar o caso claramente, de forma inequívoca, reconhecer a culpa sem falsidade, a clamar a Deus desde o mais profundo de seu coração, sem palavras vazias e artificiais.

 

Não se trata como muitos pensam de algumas expressões balbuciantes, de uma conversa lisonjeira, senão de um movimento consciente do coração. A oração contém um elemento de múltipla e genuína sensibilidade: — algumas vezes para o peso que representa o pecado, outras a ação de graças pelas misericórdias recebidas, outras para a vontade de Deus a conceder sua misericórdia, etc. Costumo afirmar baseado na iluminação que Deus me concede pelo seu Espírito mediante a sua Palavra que, oramos a vontade de Deus, e quando crescemos espiritualmente por meio da oração, é porque Deus opera em nós a sua vontade, efetuando o nosso desejo de nos santificarmos para o louvor e glória da sua graça (Filipenses 2:13; Efésios 1: 6).

 

Quando Paulo ensina a Igreja acerca da oração, ele afirma: “Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento” (1º Coríntios 14:15); notamos aqui, que a oração não deve ser entendida por um momento de êxtase e euforia, mas um momento de devoção a Deus, onde usamos a nossa inteligência. Pois bem, orar com o Espírito (pois, isto é o que faz a pessoa que ora, ser aceitável a Deus) é, como já mencionado, a achegar-se a Deus, sincero, consciente e afetuosamente por meio de Cristo, o que necessariamente é uma obra do Espírito de Deus. Não há nenhum homem ou Igreja no mundo que possa se aproximar de Deus em oração, se não for com a ajuda do Espírito Santo: — “Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Efésios 2:18). É por isso que Paulo diz: — “E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos” (Romanos 8:26, 27). Comentarei brevemente as palavras deste texto que mostra tão plenamente o espírito de oração e incapacidade do homem de orar sem Ele.

 

Considere primeiramente a pessoa que está falando, ou seja, Paulo e em sua pessoa todos os apóstolos. Nós apóstolos, os oficiais extraordinários, os edificadores prudentes (alguém, que inclusive, foi arrebatado ao paraíso – 2 Coríntios 12), “não sabemos o que havemos de pedir como convém”. Não sabemos que coisas devemos pedir, ou por quem orarmos, nem por que meio orar; nada disto sabemos sem a ajuda do Espírito. Devemos orar pedindo comunhão com Deus por Cristo? Devemos pedir a fé, justificação pela graça, um coração verdadeiramente santificado? Nada disto sabemos; “Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:11). Além disso, se não sabem qual deve ser o tema da oração, a não ser pela ajuda do Espírito Santo, sem Ele tampouco sabem como devem orar; portanto, o apóstolo acrescenta: — “Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém”. Eles não podiam realizar este dever tão bem e totalmente como alguns, em nossos dias, creem que podem. Mesmo em seus melhores momentos, quando o Espírito Santo lhes ajudava, os apóstolos tinham de contentar-se em proferir suspiros e gemidos inexprimíveis, uma vez que não tinha palavras para expressar. Mas nisto os sábios de nossos dias estão tão especializados, eles já sabem de antemão como orar e sobre que tema, estabelecendo uma oração para tal dia, até mesmo vinte anos antes. Uma para o Natal, outra para a Páscoa, e os correspondentes seis dias depois, e assim por diante. Eles contaram ainda às sílabas que devem conter. Também para cada festividade já têm preparadas as orações para aqueles que ainda não vieram a este mundo. Ademais, lhes dirão quando devem ajoelhar-se, quando ficar em pé, quando sentar-se, e quando se moverem. Tudo o que os apóstolos não chegavam a fazer, por não poderem compor forma tão meticulosa, por causa do temor de Deus, que lhes constrangia a orar como deveriam. “Porque não sabemos o que havemos de pedir como convém”. Observe isto: — “como convêm”, pois, o não atentar para esta palavra, ou pelo menos não entendê-la em seu espírito e verdade, tem feito com que alguns inventassem, como Jeroboão, outra forma de adoração que não seja a que está revelada na Palavra de Deus, tanto no que se refere ao tema como à forma. Mas Paulo diz que precisamos orar como convém, algo que não podemos fazer nem mesmo com toda a arte, habilidade, astúcia e engenho dos homens e dos anjos. “Porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito […]”. “Sim, o mesmo Espírito” “ajuda nossa fraqueza”, não o Espírito e a concupiscência do homem: — uma coisa é o que o homem pode imaginar e inventar em seu próprio cérebro, e outra o que se lhe manda e deve fazer. Muitos pedem e não recebem, porque pedem mal (cf. Tiago 4:3), por isso nunca chegam sequer a estar perto de possuírem o que pedem. A oração acidental fortuita, não dissuade a Deus nem faz com Ele responda. Quando se está em oração, Deus esquadrinha o coração, para ver de que raiz e espírito procedem. “E aquele que examina os corações sabe” (isto é, aprova) “qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos” (Romanos 8:27).

 

Uma vez que a oração é dever de todos e cada um dos filhos de Deus, dever mantido na alma pelo Espírito de Cristo, todo aquele que se propõe a ocupar-se em oração ao Senhor deve ser extremamente cuidadoso, e preparar-se para fazer isso com especial temor de Deus, e com a esperança posta em sua misericórdia por meio de Jesus Cristo – no tempo oportuno Deus dará o crescimento espiritual que necessitamos.

Paz e graça.

1 Comment

  1. Muito bom este entendimento sobre como orar. Estou feliz por ter encontrado este estudo. Obrigada meu DEUS pela vida deste irmão, ungido do SENHOR que instrui seu povo a orar como convém ao SENHOR.

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