A Revolta dos Macabeus

Macabeus
A Revolta dos Macabeus

Os macabeus foram os integrantes de um exército rebelde judeu que assumiu o controle de partes da Terra de Israel, até então um Estado–cliente do Império Selêucida. Os macabeus fundaram a dinastia dos Asmoneus, que governou de 164 a 37 a.C., reimpuseram a religião judaica, expandiram as fronteiras de Israel e reduziram no país a influência da cultura helenística.

Seu membro mais conhecido foi Judas Macabeu, assim apelidado devido à sua força e determinação. Os macabeus durante anos lideraram o movimento que levou à independência da Judeia, e que reconsagrou o Templo de Jerusalém, que havia sido profanado pelos gregos. Após a independência, os asmoneus deram origem à linhagem real que governou Israel até sua subjugação pelo domínio romano em 37 a.C.

De acordo com as fontes históricas, como o Primeiro e o Segundo Livro dos Macabeus, e o primeiro livro da Guerra dos Judeus, do historiador judeu-romano Flávio Josefo (37 – 100 d.C.), [1] o Reino Asmoneu teve seu início com uma revolta de judeus contra o rei selêucida Antíoco IV, que após sua bem–sucedida invasão do Egito ptolemaico ser minada pela intervenção da República Romana passou a procurar assegurar seu domínio sobre Israel, saqueando Jerusalém e seu Templo, reprimindo as práticas religiosas e culturais judaicas, e impondo práticas helenísticas (gregas).

A Revolta Macabeia (167 a.C.), que se seguiu, deu início a um período de vinte e cinco anos de independência judaica, amplificada pelo colapso constante do Império Selêucida, diante dos ataques de potências emergentes como a República Romana e o Império Parta. No entanto, o mesmo vácuo de poder que permitiu ao Estado judaico ser reconhecido pelo senado romano em 139 a.C. passou a ser explorado pelos próprios romanos.

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Hircano II e Aristóbulo II, bisnetos de Simão Macabeu, tornaram-se peões numa guerra por procuração travada entre Júlio César e Pompeu, o Grande, que terminou com o reino sob a supervisão do governador romano da Síria, em 64 a.C. As mortes de Pompeu (48 a.C.), César (44 a.C.) e as guerras civis romanas que se seguiram afrouxaram o domínio romano sobre Israel, o que permitiu um breve ressurgimento asmoneu, com apoio do Império Parta.

Esta independência pouco duradoura foi esmagada rapidamente pelos romanos sob o comando de Marco Antônio e Otaviano. Em 37 a.C. Herodes, o Grande foi instalado no poder como rei, fazendo de Israel um Estado–cliente romano, e pondo um fim à dinastia dos asmoneus.

Em 44 d.C. Roma colocou no poder um procurador romano, exercendo o poder lado a lado aos reis herodianos (mais especificamente Agripa I, 41 – 44, e Agripa II, 50 – 100).

COMO TUDO COMEÇOU

Com a proibição em 167 a.C. da prática do judaísmo pelo decreto de Antíoco IV e com a introdução do culto do Zeus Olímpico no Templo de Jerusalém, muitos judeus que decidem resistir a esta assimilação acabam sendo perseguidos e mortos. Conforme diz o 1 Macabeus 1:56 – 64:

“Quanto aos livros da Torá, os que lhes caíam nas mãos eram rasgados e lançados ao fogo. Onde quer que se encontrasse, em casa de alguém, um livro da Aliança ou se alguém se conformasse à Torá, o decreto real o condenava à morte. Na sua prepotência assim procediam, contra Israel, com todos aqueles que fossem descobertos, mês por mês, nas cidades. No dia vinte e cinco de cada mês ofereciam-se sacrifícios no altar levantado por sobre o altar dos holocaustos. Quanto às mulheres que haviam feito circuncidar seus filhos, eles, cumprindo o decreto, as executavam com os mesmos filhinhos pendurados a seus pescoços, e ainda com seus familiares e com aqueles que haviam operado a circuncisão. Apesar de tudo, muitos em Israel ficaram firmes e se mostraram irredutíveis em não comerem nada de impuro. Eles aceitaram antes morrer que contaminar-se com os alimentos e profanar a Aliança sagrada, como de fato morreram. Foi sobremaneira grande a ira que se abateu sobre Israel”.

Entre os judeus que permanecem fiéis à Torá, está o sacerdote Matatias, chamado de asmoneu devido ao nome do patriarca de sua linhagem (Hasmon). Recusando-se a servir no templo profanado, Matatias se exila com sua família em sua propriedade em Modin. Matatias tem cinco filhos: — João, Simão, Judas (“Martelador”), Eleazar e Jônatas.

Convocados para os sacrifícios sacrílegos, Matatias acaba matando o emissário real e um sacerdote que se propõe a oficiar os sacrifícios. Convoca então os judeus fiéis à Torá e foge com seus filhos para as montanhas, iniciando o movimento de resistência contra o domínio estrangeiro, destruindo altares, circuncidando meninos à força e recuperando a Torá das mãos dos gentios.

Em suas campanhas obtiveram notável sucesso. No dia 25 de “casleu” (dezembro), 165 a.C, no mesmo dia em que o templo havia sido profanado três anos antes (1 Macabeus 4:54), eles o purificaram e o rededicaram, sob a liderança de Judas, e a adoração foi restabelecida (1 Macabeus 4:36 e seguintes; cf. 2 Macabeus 10:1 – 7). Esse evento tem sido comemorado desde então na Festa judaica de “Hanukkah” (Dedicação), às vezes conhecida como a Festa das Luzes.

As lutas continuaram, mas em 162 a.C. Lisias, regente de Antíoco V, ofereceu condições generosas ajudas e concedeu perdão total aos rebeldes, e plena liberdade religiosa (1 Macabeus 6:58 e seguintes; 2 Macabeus 13:23 e seguintes).

Os Macabeus, em nome do judaísmo, haviam conquistado uma ressonante vitória, não apenas sobre seus inimigos externos, mas também sobre toda a cultura que esses inimigos estavam determinados a impor sobre eles. Mas seria falso imaginar que a vitória decisiva havia sido ganha.

Paz e graça.
Por Pr. Plínio Sousa.

[1] – Louis H. Feldman, Steve Mason (1999), Flavius Josephus.
[2] – Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas.
[3] – Between the Testaments: From Malachi to Matthew, de Richard Neitzel Holzapfel.

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