Somos realmente livres?

Livres? Compreendendo a liberdade cristã

 

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gálatas 5.1)

 

Neste texto, falaremos um pouco sobre “escravidão” e “liberdade” espiritual, que também possuem amplo significado dentro do contexto bíblico, e são igualmente importantes para aplicarmos a nossa cosmovisão cristã.

Sabemos que, no exato momento em que a maravilhosa graça do Senhor Jesus nos alcançou e salvou, fomos libertos do poder do pecado (Romanos 6.18-22). Entretanto, o fato de termos sido libertos do poder do opressor pecado, não significa que passamos a ser indivíduos totalmente independentes e livres, com capacidade de viver à parte do senhorio de alguém.

A verdade é que ao alcançar o perdido (até então escravo do pecado) o Espírito Santo lhe confere liberdade para servir a Deus. É importante ressaltar que a palavra grega “doulos” que em português é traduzida por “servo”, significa “escravo”. Por isso podemos entender que o servo de Deus é também “escravo” de Deus. Não há como alguém estar num “estado neutro” e ser totalmente independente; pois, ainda que não seja religioso nem acredite na esfera espiritual, sempre será servo, ou de Deus ou do pecado.

O salmista Davi, ao registrar as a sentença: “eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmo 51.5), demostra que todas as pessoas nascem sob o domínio do pecado; ou seja, já nascem sendo escravas do pecado. As implicações desta condição de escravidão são muitas, mas a principal é o domínio do pecado sobre a vontade.

Não poucas pessoas acreditam que são livres, alegando que “possuem liberdade” de realizar tudo o que elas sentem vontade de fazer. Entretanto, a escravidão consiste justamente em executar todos os desejos (as ordens) da própria vontade, que está totalmente comprometida com o pecado.      

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Em sua obra Nascido Escravo, o grande reformador Martinho Lutero denominou esta situação de “escravidão da vontade”. As pessoas gostam de pensar que são absolutamente livres para escolherem o que bem quiserem, que podem escolher servir a Deus, se assim desejarem, que pode escolher serem cristãs, se assim for do desejo delas. Mas a Bíblia fala em “filhos da desobediência”; e ainda: “vós tendes por pai o diabo, e quereis satisfazer os desejos do vosso pai” (João 8.44).  

A realidade é que todas as pessoas nascem debaixo desta condição de serem escravas do pecado, é exatamente isso que “significa ser pecador”. Somente pelo poder do sangue de Jesus é que o pecador pode em fim se ver livre desta tão terrível escravidão. Acontece que, ao ganhar sua liberdade, o pecador não se torna um ser totalmente independente e livre. Isso se dá, pois, sua vida agora se encontra debaixo de outra autoridade, a qual também exigirá muitas coisas – a autoridade do Senhor Jesus.

Este é o grande ponto da “liberdade cristã”, que quase sempre é mal compreendido – o cristão é livre sim, mas é ele livre para ser doulos (servo/escravo) de Deus, livre para obedecer e executar a vontade de Deus, não para andar de conformidade com suas próprias vontades. Acreditar na plena autonomia do ser é uma terrível ilusão. Ou você cumpre a vontade de Deus, ou você cumpre a vontade da carne e do pecado. Não há meio termo, nem há como não pertencer a um dos lados. 

O grande benefício de alguém ser liberto por Cristo Jesus e, consequentemente, deixar de ser escravo do pecado, é poder escolher entre servir a Deus (realizando as boas obras) e continuar servindo o pecado (realizando todas as vontades da sua carne). Sem entrar no mérito das polêmicas questões teológicas a respeito deste assunto, o que vale a pena dizer é que: ser livre do pecado é ser colocado numa posição na qual torna-se possível servir a Deus.

Para alguém que é escravo do pecado, servir a Deus nem é uma possibilidade. Todavia, se alguém julga ser verdadeiramente livre, mas vive à serviço de suas próprias vontades carnais e pecaminosas, é bem possível que sua “liberdade em Cristo” não passe de uma ilusão e que você jamais tenha deixado de ser escravo do pecado.

“Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (1 João 3.8,9).

 

Tiago Rocha

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