Breve Resumo sobre Karl Barth

Karl Barth nasceu em 10 de maio de 1886 –, e faleceu em 10 de dezembro de 1968, foi um teólogo reformado suíço que é por muitos, considerado o maior teólogo protestante do século XX. Sua influência expandiu-se muito além do domínio acadêmico, chegando a incorporar a cultura, o que levou a Barth ser apresentado na capa da revista TIME em 20 de abril de 1962 [1].

 

Começando com sua experiência como pastor, Barth rejeitou sua formação na Teologia Liberal predominante típica do protestantismo europeu do século XIX. Ele também rejeitou formas mais conservadoras do cristianismo. Em vez disso, ele embarcou em um novo caminho teológico inicialmente chamado de “teologia dialética” devido ao seu estresse na natureza paradoxal da verdade divina (por exemplo, a relação de Deus com a humanidade incorpora graça e julgamento).

 

Muitos críticos se referiram a Barth como o pai da neo–ortodoxia –, um termo que Barth rejeitou enfaticamente. Uma descrição mais caritativa de seu trabalho pode ser “uma teologia da Palavra” [2]. O trabalho de Barth teve um impacto profundo na Teologia do século XX e em influenciou figuras como Dietrich Bonhoeffer – que queria que Barth se tornasse líder da Igreja Confessante (ou Igreja Confessional) – Thomas F. Torrance, Reinhold Niebuhr, Jacques Ellul, Stanley Hauerwas, Hans Kung, Jürgen Moltmann e romancistas como John Updike e Miklós Szentkuthy.

 

A inquietação de Barth com a Teologia dominante que caracterizou a Europa levou-o a se tornar um líder na Igreja Confessional na Alemanha, que se opôs ativamente a Adolf Hitler e ao regime nazista. Em particular, Barth e outros membros do movimento tentaram vigorosamente impedir que os nazistas assumissem a Igreja existente e estabelecessem uma Igreja estadual controlada pelo regime. Isso culminou com a autoria de Barth na Declaração de Barmen, que criticou ferozmente os cristãos que apoiaram os nazistas.

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A Declaração de Barmen foi um documento elaborado a partir do posicionamento de evangélicos alemães, especificamente o grupo da resistência alemã denominada Igreja Confessional, contra o nazismo.

 

A Declaração Teológica de Barmen é a resolução fundamental do Primeiro Sínodo Confessional da Igreja Evangélica Alemã, realizado entre 29 a 31 de maio de 1934, em Barmen, Alemanha. O documento proporciona orientação aos cristãos confusos diante da ideologia do nacional–socialismo e corrige os posicionamentos da Igreja em relação à sua tarefa, natureza e ordem.

 

O texto foi redigido por Karl Barth, Barth tornou-se um dos líderes da Igreja Confessante, salientando publicamente que a Igreja deve obediência exclusiva a seu Senhor e ao Evangelho, e que a característica essencial da Igreja é ouvir a Deus.

 

“O que faz da Igreja uma Igreja não é isto ou aquilo, por mais indicado e necessário que seja, mas sempre uma só coisa: — que a pessoa ouve porque Deus lhe falou, e ela ouve o que Deus lhe falou. A Igreja não vive em arbítrio próprio, por mais bem–intencionado que seja, e sim ela vive em obediência – salientou também que –, o mundo nem sempre foi grato à Igreja por ela ignorar seus deuses”.

 

Declaração da Igreja Confessional.

 

“Face dos erros dos cristãos alemães da presente administração da Igreja do Reich […]. Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja teria o dever de reconhecer – além e aparte da Palavra de Deus – ainda outros acontecimentos e poderes, personagens e verdades como fontes da sua pregação e como revelação divina […]. Rejeitamos a falsa doutrina de que, em nossa existência haveria áreas em que não pertencemos a Jesus Cristo, mas a outros senhores […]. Rejeitamos a falsa doutrina de que à Igreja seria permitido substituir a forma da sua mensagem e organização, a seu bel prazer ou de acordo com as respectivas convicções ideológicas e políticas reinantes […]. Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja, desviada deste ministério, poderia dar a si mesma ou permitir que se lhe dessem líderes especiais revestidos de poderes de mando […]. Rejeitamos a falsa doutrina de que o Estado poderia ultrapassar a sua missão especifica, tornando-se uma diretriz única e totalitária da existência humana, podendo também cumprir desse modo, a missão confiada à Igreja. Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja poderia e deveria, ultrapassando a sua missão específica, apropriar-se das características, dos deveres e das dignidades estatais, tornando-se assim, ela mesma, um órgão do Estado […]. Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja, possuída de arrogância humana, poderia colocar a Palavra e a obra do Senhor a serviço de quaisquer desejos, propósitos e planos escolhidos arbitrariamente”.

 

Um dos mais prolíficos e influentes teólogos do século XX, Barth enfatizou a soberania de Deus, particularmente através da reinterpretação da doutrina calvinista da eleição, do pecado da humanidade e da “distinção qualitativa infinita entre Deus e a humanidade”. Suas obras mais famosas são: — “A Carta aos Romanos”, que marcou um recorte claro de seu pensamento anterior, e seu enorme trabalho de treze volumes, a Igreja Dogmática, uma das maiores obras de Teologia Sistemática já escritas.

 

O Papa Pio XII disse que Karl Barth foi “o melhor teólogo desde Tomás de Aquino”.

 

Paz e graça.

Por Pr. Plínio Sousa.

 

[1] – Fonte, Barth in Retirement, Time, 31 de maio de 1963:

http://content.time.com/time/magazine/article/0,9171,896838,00.html

[2] – Thomas Forsyth Torrance, 1 de dezembro de 2000, Karl Barth: An Introduction to His Early Theology, 1910 – 1931.

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