Panorama geral do livro de Êxodo

O livro do Êxodo abrange basicamente três assuntos centrais. Primeiramente, o livro mostra como Deus libertou o povo de Israel do cativeiro no Egito para cumprir Sua aliança feita com os patriarcas. O livro também é a revelação da aliança de Deus, que foi feita no Monte Sinai. Além disto, como um resultado dos dois primeiros assuntos, Êxodo mostra o estabelecimento do Tabernáculo como sendo a morada de Deus. Todos estes assuntos apresentam a graça de Deus.

Ao libertar o seu povo do cativeiro egípcio, o verdadeiro Deus julgou os deuses e governantes do Egito, falou às pessoas através do Monte Sinai e manifestou a Sua presença no Tabernáculo, o qual ele havia instruído o povo a construir. Além da graça, o desdobramento desses temas também revela a santidade do Senhor na sua Lei e em todo escopo do simbolismo cerimonial do culto em Israel.

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Bem no centro de todos esses atos divinos está Moisés, o servo escolhido do Senhor. Moisés foi o mediador do juízo divino contra o Egito (4.1-7). Por meio de Moisés, Deus libertou os israelitas no mar Vermelho (14.31). Também foi para Moisés que o Senhor entregou a sua revelação no Sinai (20.19), e foi por intermédio dele ditou as regulamentações para a construção do Tabernáculo (capítulos 32 – 34).

Teologicamente, o livro Êxodo também apresenta uma grande metáfora da obra da salvação de Deus através da História – Deus redime o seu povo escolhido dos poderes do mal do qual eles haviam se tornado escravos; julga esses poderes e reivindica o seu povo como o seu primogênito, uma nação santa de sacerdotes em meio à qual ele habitaria pelo seu Espírito.

Esse modelo da vitória de Deus sobre os seus inimigos, o estabelecimento de um lugar para ser Sua habitação e a abundância das bênçãos prometidas encontram a sua maior realização na primeira e na segunda vindas de Cristo. Por isso, na Teologia, todos os acontecimentos do livro também são vistos como tipologia da obra de Cristo.

Em si, o Tabernáculo e seus serviços apontavam para Cristo. Em termos gerais, assim como o Tabernáculo era o local da presença acessível de Deus na terra, Jesus “habitou (literalmente no texto grego: tabernaculou) entre nós” (João 1.14,17). Também, a provisão de animais sacrificados como solução temporária para o pecado de Israel antecipou o sacrifício da morte de Cristo, no qual o pecado foi punido de uma vez para sempre. Assim, o importante acontecimento da Páscoa é cumprido em Cristo (1 Coríntios 5.7).

O papel principal que Moisés representou neste livro também aponta para Cristo. Assim como os israelitas foram “batizados… com respeito a Moisés” (1 Coríntios 10.2), quando conduzidos através do mar Vermelho, os cristãos são batizados em Cristo. Moisés foi o grande servo do Senhor que recebeu as palavras de Deus diretamente dele.

O Evangelho de Mateus, em especial, apresenta Jesus como aquele que enfrentou o seu próprio êxodo (Mateus 2.14,15), ensinou a lei de Deus num monte (Mateus 5.1) e ficou lado a lado com Moisés no monte da transfiguração (Mateus 17).

Assim como Moisés estava disposto a morrer pelo bem de seu povo (Êxodo 32.10), Jesus serviu de substituto para o seu povo. A glória de Deus que se refletiu na face de Moisés (Êxodo 34.29) é agora refletida naqueles transformados pelo Espírito de Cristo (2 Coríntios 3.18).

 

Tiago Rocha

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