O Cristão e a Sociedade

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O Cristão e a Sociedade

Vocês são o sal da terra.

 

O cristão é chamado a viver uma vida santa diante uma sociedade ímpia, Jesus ensinou que todos os seus discípulos devem ser luz em meio a trevas. Pois, Jesus diz: — “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8:12); de igual modo Pedro escreve que somos um, “povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9b). Mas Jesus também diz que todos devem ser “sal da terra”, o que quer dizer isto?

 

O que se entende por sal?

 

Um conhecido preservador do alimento, muitas vezes usado simbolicamente; os crentes são uma coibição da corrupção do mundo. Os incrédulos são muitas vezes afastados do mal por causa de uma consciência moral cuja origem pode ser encontrada na influência cristã. Se o sal vier a ser insípido. Se isto pode acontecer quimicamente é assunto controvertido. Thompson admite que o sal impuro da Palestina pode se tornar insípido (The Land and the Book, p. 381). Entretanto, a ilustração de Cristo pode ser hipotética para mostrar que a anomalia é um crente inútil.

 

Quando Jesus pronunciou estas palavras usou uma expressão que depois se tornou o maior elogio que se pode oferecer a homem algum. Se desejamos sublinhar a solidez, utilidade e valor de alguém podemos dizer: — “Pessoas assim são o sal da Terra”.

 

Na antiguidade o sal possuía um valor muito grande. Os gregos costumavam dizer que o sal era divino. Os romanos, em uma frase que em latim era algo como uma das rimas comerciais da atualidade, diziam: — “Nada é mais útil que o sol e o sal” (“Nil utilius sole et sale”). Na época de Jesus o sal era associado com três qualidades especiais:

 

1 – O sal se relacionava com a idéia de pureza.

 

Indubitavelmente sua faiscante brancura fazia com que a associação fosse fácil. Os romanos diziam que o sal era o mais puro do mundo porque procedia das duas coisas mais puras que existem: — o sol e o mar. O sal é a oferenda mais antiga dos homens aos deuses, e até o final do culto sacrificial judeu toda oferenda era acompanhada de um pouco de sal.

 

Portanto, para que o cristão seja o sal da Terra (sociedade), deve ser um exemplo de pureza. Uma das características do mundo em que vivemos é a diminuição das exigências morais. No que respeita à honradez, a diligência no trabalho, a retidão, a moral, todas as normas estão sofrendo um processo de relativização e rebaixamento.

 

O cristão deve ser aquele que mantém no alto os ideais de uma pureza absoluta na linguagem, na conduta e até no pensamento. Certo escritor dedicou seu livro a J. Y. Simpson: — “Aquele que faz com que o melhor seja verossímil”.

 

Nenhum cristão pode apartar-se das normas de uma estrita honestidade. Nenhum cristão pode aceitar a relativização das pautas morais em um mundo em que as ruas de qualquer grande cidade são um permanente e deliberado convite ao pecado.

 

Nenhum cristão pode permitir ocorrências de duplo sentido que hoje formam parte da conversação habitual em muitos meios sociais. O cristão não pode separar-se do mundo mas, como o afirma Tiago, deve “guardar-se sem mancha do mundo” (Tiago 1:27).

 

2 – No mundo antigo o sal era o mais comum de todos os preservadores.

 

Usava-se para impedir que os mantimentos, e outras coisas, apodrecessem ou se corrompessem, para deter o processo de putrefação. Plutarco diz tudo isto de uma maneira extremamente curiosa: — “A carne – afirma – é um corpo morto, e forma parte de um corpo morto, e se for deixada entregue a si mesma muito em breve perde a frescura; mas o sal a preserva e impede sua corrupção”. Portanto, sempre segundo Plutarco, o sal é como uma nova alma inserida no corpo morto. De maneira que o sal impede a corrupção. Para que o cristão seja o sal da Terra deve cumprir uma certa função anti–séptica na vida.

 

Sabemos muito bem que há certas pessoas em cuja companhia fica fácil ser bons, e que também há outras às quais não é difícil rebaixar nosso comportamento. Há pessoas em cuja presença fica fácil contar um “conto verde” e há outras em cuja presencia a ninguém pensaria, sequer, fazer uma alusão de duplo sentido.

 

O cristão deve ser o elemento antisséptico e purificador em qualquer grupo em que se encontre presente. Deve ser a pessoa que por sua simples presença derrota a corrupção e faz com que para outros seja mais fácil ser bons.

 

3 – Mas a qualidade mais evidente e principal do sal é que dá sabor.

 

A comida preparada sem sal é tristemente insípida e até pode chegar a ser repulsiva. O cristianismo é para a vida o que o sal é para a comida. Amadurece a vida. A desgraça é que haja tantos que o associaram precisamente com as características opostas. Associaram a fé de Cristo com tudo aquilo que tira o gosto à vida.

 

Assim o afirma, por exemplo, o poeta inglês Swinburne: — “Venceste, pálido galileo, o mundo tornou-se cinzento perante teu fôlego”. Depois que Constantino aceitou a religião cristã como religião do Império Romano, outro imperador, Juliano, quis voltar atrás e restituir a vigência dos antigos deuses. Sua queixa, tal como a representa Ibsen, era: — “Você prestou atenção nestes cristãos? Os olhos fundos, as bochechas pálidas, estão toda sua vida refletindo, não os move ambição alguma; o sol brilha sobre suas cabeças, mas não o vêem nem se comovem, a Terra lhes oferece sua plenitude, mas não a desejam; tudo o que ambicionam é ter que sacrificar-se e sofrer para morrer e ir ao céu”.

 

Segundo Juliano, o cristianismo desprezava os dons da vida.

Oliver Wendell Homes disse, em certa oportunidade: — “Eu teria sido pastor, se a maioria dos pastores que conheci em minha juventude não tivessem tido o aspecto de empregados de funerárias e agido como tais”.

 

Robert Louis Stevenson certa ocasião declarou em seu jornal, como se se tratasse de um fato extraordinário: — “Hoje fui à Igreja e não me sinto deprimido”. Os homens precisam redescobrir o brilho e a alegria perdidos da fé cristã. Em um mundo angustiado o cristão deveria ser o único que consegue manter a serenidade.

 

Em um mundo deprimido, o cristão deveria seguir sendo o único inundado pelo prazer de viver. A vida cristã deveria ser algo radiante. Infelizmente, com muita frequência, o cristão se veste como um dos parentes que assiste a um funeral, e em uma festa é como um espectro vindo de outro mundo. Em qualquer lugar que o cristão esteja deve ser o sal da Terra, o difusor da alegria.

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Jesus prossegue dizendo que se o sal perder seu sabor, somente serve para ser lançado fora para ser pisado pelos homens. Isto é de difícil compreensão, porque o sal não perde seu sabor, nunca deixa de ser salgado.

 

  1. F. Bishop, em seu livro “Jesus of Palestine” menciona uma explicação muito verossímil dada por uma senhorita F. E. Newton. Na Palestina a maioria das casas têm um forno ao ar livre, perto da mesma, construído com pedras sobre uma base de lajes. Nesses fornos, “a fim de manter o calor, coloca-se uma grossa capa de sal, sobre as lajes. Depois de algum tempo, esse sal deixa de servir ao seu propósito. Então se tiram as lajes e o sal se atira e se derruba no caminho […] perdeu seu poder servindo de elemento refratário ao calor e, portanto, já não serve”.

 

É muito possível que esta seja a imagem que Jesus tem em mente. Mas o ensino é independente da imagem, sendo um tema que no Novo Testamento se repete uma e outra vez: — a inutilidade acarreta graves consequências. Se o cristão não cumprir o seu objetivo como cristão, vai por mau caminho.

 

Estamos destinados a ser o sal da Terra; se não levarmos à vida a pureza, o poder anti–séptico, a alegria e o esplendor que são nossa possibilidade e obrigação como crentes, devemos ater-nos a sofrer as consequências.

 

Deve notar-se, para terminar, que a Igreja primitiva fazia um uso muito estranho deste texto. Na sinagoga, entre os judeus, existia o costume de que se um judeu apostatava de sua fé e depois, arrependido, desejava voltar para ela, tinha que deitar-se atravessado na porta e permitir que todos outros pisassem sobre ele, como se fora uma soleira, quando entravam nela.

 

Algumas Iglesias cristãs adotaram este costume, e quando algum cristão era expulso disciplinarmente da Igreja, para poder voltar para ela devia fazer quão mesmo o judeu apóstata e dizer a seus irmãos: — “Pisem-me, porque sou o sal que perdeu o seu sabor”.

 

Vós sois a luz do mundo.

 

Os crentes funcionam positivamente para iluminar um mundo que está nas trevas, porque eles possuem Cristo, que é a luz como já dito no início deste artigo (João 8:12). A luz de Cristo deveria brilhar publicamente, como o agrupamento das casas de pedras brancas numa cidade da Palestina. Deveria também ser exibida em nossos relacionamentos individuais e particulares (candeia, velador, casa).

 

Paz e graça.

Por Pr. Plínio Sousa.

 

[1] – Comentário William Barclay, Evangelho de Mateus, p. 129 – 132.

[2] – Comentário Bíblico Moody, Evangelho de Mateus, p. 22.

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