BATISMOS NO ANTIGO TESTAMENTO

Batismos
BATISMOS NO ANTIGO TESTAMENTO

O sacramento na Antiga Aliança.

Entre as ordenanças da antiga dispensação, até o tempo da Nova Aliança, o autor da Carta aos Hebreus menciona vários batismos (Hebreus 9:10) que a Almeida Revista e Corrigida (ARC) do Novo Testamento traduz por “várias abluções”.

Esses batismos estão incluídos na lista das cerimônias do Antigo Testamento que deviam desaparecer por se terem tornado antiquadas, mas ganham maior significado e continuidade no batismo do Novo Testamento.

No versículo 13, do Capítulo 9, Paulo escreve: — “Porque, se a aspersão do sangue de bodes e touros”. Esta passagem tem dado ocasião a muitas interpretações equivocadas, levando muitos intérpretes a ignorarem que aqui a preocupação do autor é com os sacramentos que tinham um significado espiritual.

Eles explicam a purificação da carne (os ritos) como algo que só tem validade entre os homens, da mesma forma que os pagãos também têm seus atos de penitência, por meio dos quais eliminam o escândalo do crime. Tal explicação é completamente anticristã, porquanto lança injúria à promessa de Deus, caso restrinjamos sua força meramente às relações terrenas. Com frequência ocorre nos escritos de Moisés este gênero de sentença: — quando um sacrifício for devidamente executado, então a iniquidade é eliminada. Seguramente, esse é o ensino espiritual da fé.

Além do mais, todos os sacrifícios eram destinados a este propósito: — levar os homens a Cristo. Como a salvação eterna da alma está em Cristo, assim os sacrifícios eram genuínas evidências desta salvação.

Qual, pois, era a intenção do apóstolo ao falar da purificação da carne? Evidentemente ele a entende simbólica ou sacramentalmente, no seguinte sentido: — se o sangue de animais era um genuíno símbolo de purificação, no sentido em que ele agia de uma forma sacramental, quanto mais o sangue de Cristo, que é a própria verdade, não só dará testemunho da purificação por meio de um rito externo, mas também aquele que realmente penetrará as próprias consciências humanas.

O argumento, pois, parte dos sinais para as coisas significadas, visto que o efeito, por um longo tempo, precedeu a realidade dos sinais.

Em 1 Coríntios 10:2, 3, Paulo diz que: — “Estiveram todos sob a nuvem”. A intenção do apóstolo é demonstrar que os israelitas eram o povo de Deus, justamente como nós o somos, com o fim de levar-nos a compreender que não escaparemos impunemente das mãos divinas, as mesmas que os castigaram com dura severidade. A questão é a seguinte: — se Deus não os poupou, então também não nos poupará, porquanto nossa situação e a deles são uma e a mesma.

Paulo prova esta similaridade partindo do fato de que haviam sido assistidos com os mesmos sinais da graça de Deus. Porquanto os Sacramentos são emblemas por meio dos quais a Igreja de Deus é distinguida. Ele trata primeiro do batismo, e ensina que a nuvem, que protegia os israelitas do calor do sol no deserto, e os guiava em sua marcha, assim como o fizera na travessia do mar, realmente era como se fosse um batismo em relação a eles.

Ele diz que um sacramento se fazia presente no maná e na água que fluiu da rocha, o qual correspondia à Santa Ceia. “Foram, diz ele, batizados em Moisés”, isto é, sob o ministério ou diretriz de Moisés. Pois tomo a partícula “eis” como sendo usada no lugar de “ev”, concordando com o uso comum da Escritura, porque somos certamente batizados no nome de Cristo, e não de algum mero homem, como ele já expressou em 1 Coríntios 1:13, e isso por duas razões. São elas: — primeiro, porque pelo batismo somos iniciados na doutrina unicamente de Cristo; e, segundo, porque somente seu nome é invocado, visto que o batismo está fundamentado somente em sua influência. Foram, portanto, balizados em Moisés, isto é, sob sua lide.

E como eram realizados estes vários batismos na dispensação do Antigo Testamento? No Capítulo 9, versículo 13 de Hebreus, encontramos a indicação de que um desses batismos era administrado na forma de aspersão e depara-se com a confirmação disso no Antigo Testamento, no Capítulo 19 do Livro de Números. Diz Paulo aos Hebreus: — “Se o sangue de bodes e de touros e as cinzas de uma novilha aspergidas sobre os contaminados, santifica-os para a purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo que pelo Espírito eterno se ofereceu sem defeito a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo” – Hebreus 9:13, 14.

Retomando o pensamento acerca do real significado do batismo no Antigo Testamento – que são “sombras”, a transição e continuidade, a Nova Aliança em Cristo, superior e suficiente realizada uma única vez. Agora devemos perguntar no que radica a enorme superioridade do sacrifício que Jesus ofereceu. Em três pontos.

[1] – Os antigos sacrifícios purificavam o corpo do homem de impurezas rituais; o sacrifício de Jesus purifica as almas dos homens. Devemos lembrar sempre que em teoria todo sacrifício purificava dos pecados contra a Lei ritual e contra os requerimentos da Lei; não purificava dos pecados de presunção que provêm do coração arrogante. Por exemplo, o caso da novilha vermelha. Não era a impureza moral a que este sacrifício podia eliminar; não havia purificação do pecado; o que podia purificar provinha da impureza cerimonial e corporal como consequência de ter tocado um corpo morto. O corpo do homem podia ser purificado no sentido ritual, mas seu coração estar atormentado pelo remorso, angustiado pela compunção. Podia sentir que lhe estava aberto o ingresso ao tabernáculo e, entretanto, encontrar-se longe da presença de Deus. Podia sentir que a barreira ao culto ritual estava removida, enquanto seguia fechada a porta à presença de Deus. O sacrifício de Jesus tira da consciência do homem a carga de culpa. Jesus por sua vida e sua morte trouxe aos homens a imagem do amor de Deus para que saibam que o caminho a um Deus que ama desta maneira está sempre totalmente aberto. Os sacrifícios de animais da Antiga Aliança podiam deixar o homem afastado de Deus; o sacrifício de Jesus mostra a um Deus cujos braços estão sempre estendidos para conosco e cujo coração é só amor.

[2] – O sacrifício de Jesus brinda uma redenção eterna. A idéia é que os homens estavam sob o domínio do pecado; baixo sua escravidão. E assim como deve pagar um preço para libertar um homem da escravidão, assim também se deve pagar o preço para libertar o homem do pecado. O homem está tão envolto no pecado que não pode por si mesmo libertar-se dele. Para ter liberdade requer-se o poder de Cristo.

[3] – O sacrifício de Cristo capacita o homem a deixar as obras de morte e converter-se em servo do Deus vivo. Quer dizer, que Jesus não só ganha o perdão para o estado pecaminoso do homem, mas também o capacita para que sua vida futura seja uma vida santa e boa. O sacrifício de Jesus não olha só ao passado, mas também ao futuro. Não só faz com que o homem esteja perdoado, mas também que seja bom. Não só paga uma dívida, mas também concede uma vitória. Jesus pôs o homem em boas relações com Deus e o que faz o capacita a manter essas relações. O fato da cruz oferece aos homens o amor de Deus eliminando o terror; a presença do Cristo vivo brinda aos homens o poder de Deus para ganhar diariamente uma vitória sobre o pecado.

Westcott estabelece quatro modos nos quais o sacrifício de Jesus difere dos sacrifícios de animais do Antigo Pacto.

[1] – O sacrifício de Jesus é voluntário. Um animal morre porque tem que morrer; Jesus escolheu a morte. O animal é–lhe tirado a vida; Jesus deu sua vida. O sacrifício de Jesus não foi uma exigência forçada, mas sim, entregou voluntariamente a vida por seus amigos.

[2] – O sacrifício de Jesus foi espontâneo. O sacrifício de um animal fazia-se de acordo com as prescrições e ordenanças da Lei, era inteiramente produto da Lei; o sacrifício de Jesus é inteiramente produto do amor. Pagamos a dívida a um comerciante porque devemos fazê-lo, mas damos um presente aos que amamos porque desejamos fazê-lo. Não é a Lei, mas sim o amor o que está por trás do sacrifício de Jesus.

[3] – O sacrifício de Jesus foi racional. A vítima animal não sabia o que sucedia ou o que se fazia, não pensava nem raciocinava. Jesus sabia todo o tempo o que estava fazendo. Morreu não como vítima ignorante apanhada por circunstâncias que não controla nem entende, mas com os olhos abertos sabendo de onde vinha, aonde ia e o que estava fazendo.

[4] – O sacrifício de Jesus foi moral. O sacrifício de animais era mecânico: — o ritual era levado a cabo de acordo com a norma estabelecida. As engrenagens das prescrições moíam sua rotina. O sacrifício de Jesus se fez, como o expressa o autor, mediante o espírito eterno. Não foi um mecanismo legal o que operou no sacrifício de Jesus, mas sim o Espírito de Deus. O que aconteceu no Calvário não foi o cumprimento automático de algum ritual, mas sim porque a vontade de Jesus obedecia à vontade divina em favor dos homens, atrás dEle não estava o mecanismo da Lei, mas sim a decisão do amor.

Tudo isto significa o batismo no Antigo Testamento e a transição do batismo para o Novo Testamento, aceitar a oferta e mensagem do Evangelho, é compreender esta mensagem, de vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo para justificação do pecador arrependido, confesso e contrito. Todos aqueles que confessam a Cristo, compreende o Evangelho – as boas novas de salvação; essa mensagem é suficiente, pois relata a suficiência do sacrifício e o poder de Deus, em demonstração de justiça e de amor eterno, para a salvação eterna.

Paz e graça.
Por Pr. Plínio Sousa.

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